Qual é o custo do seu resultado?

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“No final do dia, um centavo economizado vale mais que dois centavos ganhos, após as taxas.”

Essa frase, cujo autor não consigo recordar, me fez refletir sobre o paradoxo do esforço x resultado.

Quanto eu poderia ganhar em produtividade caso conseguisse economizar minha energia para produzir o mesmo, ou até, um melhor resultado?

Pense comigo, contemplando por um instante suas duas últimas semanas:

Seria possível obter o mesmo resultado com menos esforço?

  • A qualidade de suas entregas poderia ter sido melhor, caso você fosse capaz de fazer uma coisa de cada vez?
  • Haveria a possibilidade de você fazer mais com menos? Ou seja, delegando ou declinando de assuntos que não eram essenciais para a qualidade de seus resultados?

De onde vem o lucro?

Neste caso, estamos falando do que sobra de “você”, depois de pagar o preço - custo físico e mental - para obter seus resultados. O valor que fica de fato para você gastar ou investir no que é essencial para você.

Estamos correndo o tempo todo, mas raramente chegamos de fato. A ordem é fazer, fazer e fazer. Dia após dia a velocidade aumenta e empurrados pelo urgente perdemos o importante. Nos esforçamos para chegar ao “pico da montanha” mas frequentemente a chegada é comemorada com um tempero de frustração.

Não há nenhum problema em lutar para chegar ao topo, mas o custo de nosso resultado pode comprometer a verdadeira satisfação, se não equilibrarmos o fazer com o ser. Em nossa correria podemos aprender a desfrutar mais do caminho e desacelerar para chegar antes.

Conheci uma empresa que há 3 anos vêm tendo o mesmo resultado. “Ano após ano a operação fica mais complexa em virtude do mercado e da tecnologia, com todos ficando mais estressados, me contou a pessoa responsável do RH. Em uma conversa privada com o CEO tive a chance de perguntar: “De onde vem o lucro?” Ele foi para os indicadores e apontou 3 serviços de 7 dos quais trabalham. Silenciamos por alguns instantes com a intenção de sustentar um espaço de reflexão, quando ele disparou: “Talvez o caminho esteja na simplificação. Talvez não faça mais sentido priorizar quantidade vendo o quanto isso nos custa em qualidade, naquilo que fazemos bem e que nos traz saúde e prosperidade.”

Se não tivermos consciência do que é essencial para nós, seja como indivíduos ou como organizações, corremos o risco de esgotar nossos recursos em busca de resultados sem nenhum sentido.

Como melhorar seu resultado gerenciando sua energia?

Para administrar melhor a sua mente e energia crie uma pausa consciente no seu dia. Um espaço para o silêncio, para a reflexão. Pergunte-se: Qual é a coisa mais importante que deve ser realizada hoje? O que é essencial?

A grande maioria das nossas prioridades são ditadas por terceiros. E-mails, mensagens e reuniões sem importância real entram em nossa agenda tomando nossa atenção e nosso tempo inadvertidamente. Saber o que é essencial é o primeiro passo para filtrar o que deve ser priorizado.

Simplifique. Tenha clareza do que é essencial para você. Quais os compromissos, tarefas e projetos você pode delegar ou mesmo declinar? Clareza surge espontaneamente no espaço da pausa consciente e com ela podemos decidir liberar ou redirecionar nossa energia.

Mas não são somente as distrações externas que oneram o preço de nossa produtividade. Pensamentos vacilantes e enredos emocionais são como ladrões que furtam nossa energia e foco, sequestrando nossa capacidade de concentrar no que deve ser feito.

Desenvolva a capacidade de estar presente no que você está fazendo e notar como você está fazendo. A chave para você regular sua energia e esforço está na capacidade de prestar atenção às narrativas, emoções e sensações físicas em sua mente-corpo.

Equilibrando o modo fazer com o modo ser, você sai do piloto automático e do sentimento de urgência, percebendo os elementos subjacentes ao resultado. No início este estado de alto desempenho com mínimo esforço exige disciplina e técnica, mas com o tempo e com o treino regular, torna-se o modo pelo qual você opera a maior parte do tempo.

Fazer mais com menos.

A possibilidade que estamos explorando é ter consciência do esforço (custo mental e físico) para regular voluntariamente nossa atenção e recursos para o que estamos fazendo agora. É preciso disciplina e técnica, mas não necessariamente esforço ou luta.

Em outras palavras, quando criamos espaço para prestar atenção, regulamos nosso centro de custos, re-direcionamos nosso foco para o que é essencial, “lucrando” mais e melhor.

Uma quantidade significativa de energia e criatividade são liberadas quando sabemos onde queremos chegar e estamos plenamente na gestão dos recursos internos fazendo o que precisa ser feito a partir do modo ser.

Assim, aumentamos a chance de obter satisfação com o caminho e gerar melhores resultados para nós e, também para os outros.