Eu escolho acreditar no Amor

 
Consciência e Amor
 

Eu escolho acreditar no amor porque sei que amar é natural para o ser humano. Sem amor, não seria possível você estar lendo este texto e, tão pouco, eu o teria escrito.

Não pretendo aqui propor um desvio espiritual para as crises que enfrentamos no mundo, nem propor a ideia ingênua de que tudo é amor e luz.

Minha intenção com esta reflexão é relembrar, a mim mesmo em primeiro lugar, de que temos escolhas e que enquanto espécie que pensa, é nossa responsabilidade pensar sobre as consequências de nossas escolhas.

O ódio e a ganância que queimam a Amazônia surgem da nossa ignorância. E aqui não há nenhum sentido pejorativo. Simplesmente o fato de que escolhemos ignorar a nossa natureza.

Pare para pensar.


Não se trata de um incêndio isolado. Todos os continentes enfrentam, ou enfrentaram recentemente, o fogo, ou a seca, ou o tsunami. Assim como a fome e a extrema pobreza ainda queimam a dignidade de milhões de pessoas, em pleno século XXI. Sintomas da ignorância humana.

Escolhemos ignorar o fato que o humano é feito de elementos não-humanos como água, minerais, vegetais e bactérias.

Escolhemos ignorar o fato de que isso que chamamos de eu é feito de elementos não-eu como os genes dos ancestrais, as ideias da comunidade na qual nascemos, a comida preparada por um terceiro e suas emoções naquele momento, as esperanças e medos adquiridos no contato com uma infinidade de eventos e outros seres.

Escolhemos ignorar o fato de que o dinheiro é feito de elementos não-dinheiro, como tempo e recursos naturais - internos e externos.

Em outras palavras, escolhemos acreditar no medo. Acreditamos na existência independente de um eu-separado e tememos qualquer coisa que ameace esse senso de autoimagem.

Então, como refletir sobre as consequências de nossas escolhas com tanta ignorância?

Einstein deu a dica: “Nenhum problema pode ser resolvido pelo mesmo estado de consciência que o criou.”


Precisamos fazer agora, um esforço improvável porque as consequências prováveis deste estado de consciência são impensáveis.

Essa mudança de consciência é dar um passo além da noção do eu-separado para viver mais a partir da visão do não-eu, ou do inter-eu, ou do interser.

Para isso, podemos aprender a refletir sobre nossas escolhas com o coração e não só com a mente. A mente pode ser dotada de inteligência, mas o coração é dotado de sabedoria. Uma inteligência ainda mais sofisticada. Da sabedoria do coração brota naturalmente a compaixão e o amor.

No caso do incêndio na Amazônia, o coração é quem “ouve” o sofrimento e tem o impulso para cuidar. Se a mente estiver operando a partir da visão do interser vai pensar em como ajudar, mas se estiver fixada na separatividade do eu, vai procurar culpados e, por vezes, intoxicar o corpo com raiva ou sensações de impotência.

O coração tem potência e se chama Coragem. Nos coloca em movimento. A potência do coração em movimento é Amor. Eu escolho acreditar no Amor.

Ao me deparar com as notícias do incêndio recorde na Amazônia, quase caí na intoxicação da escolha pelo medo. Mas então parei e refleti com o coração e parte do meu movimento que veio foi escrever esse texto. Como disse antes, em primeiro lugar para me lembrar que tenho escolha. Em segundo lugar aspirando que mais pessoas possam refletir sobre suas escolhas e movimentar-se a partir do amor, em direção ao interser.

Outro movimento foi oferecer um momento online para guiar a meditação do amor universal - Mettabhavana com a intenção de que mais pessoas possam dar um passo experiencial na mudança do estado de consciência.

Isso não significa que não é necessário tomar movimentos mais pragmáticos como mandar doações para quem está trabalhando no combate ao incêndio ou reduzir o consumo de carne vermelha, já que um dos motivos de queimadas em áreas de florestas é aumentar indústria do gado.

Mas antes de mais nada, senti que é o que posso oferecer de imediato para esse momento do Brasil e da Vida na Terra.

Possam essas palavras ressoar no seu universo e fazer sentido para sua experiência vivida.


Com Amor,

Toni Barros.




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