Como sair do automático e do constante sentimento de urgência?

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Neste post vamos conhecer o modo padrão de funcionamento de nosso cérebro e como sair dele para obter melhores resultados.

São 9:51 da manhã de um dia habitual de trabalho. Já limpei a caixa de entrada, deleguei as urgências e fiz uma lista com as tarefas mais importantes para hoje. Percebo um pensamento bem familiar passando em minha mente: “Acho que tem coisas demais nessa lista”.

Acabo de sair da primeira reunião do dia com a sensação de que perdi muita coisa nessa última hora e que não adiantou quase nada o relatório que acabei de apresentar a diretoria, ao custo de várias horas extras e algumas de sono. Pareciam de corpo presente na sala, mas com as mãos no celular e a cabeça em algum outro assunto, mais urgente, talvez.

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No corredor, enquanto sirvo um café, pergunto à colega: “E então, o que o cliente achou do projeto?”, e ela responde: “Precisamos rever o escopo”, disparando um amortecimento imediato em meus ombros, braços e mãos, fazendo com que o café e minha energia caíssem juntinhos, ao nível do chão.

A sujeira do chão se vai enquanto limpo o líquido derramado, mas dezenas de pensamentos mancham meu dia:
“Como vou dar conta das prioridades agora?”
“Quando será essa reunião de revisão do escopo?”
“E se não fecharmos este contrato?”.


Você se identificou com a cena acima?

Quando isso vai mudar?

Será que podemos fazer alguma coisa neste contexto para lidar melhor com ele?


Piloto automático

A neurociência tem estudado uma rede cerebral de grande escala que se ativa involuntariamente, chamada rede em modo padrão. Em outras palavras o piloto automático.

Essa rede neural, quando ativada, envolve pensar sobre os outros, pensar em si mesmo, lembrar do passado e imaginar o futuro. Logo, se precisamos focar em uma tarefa, esse circuito pode nos afastar da concentração e também influenciar diretamente nosso engajamento.

Vejamos o exemplo do amortecimento e desmotivação que nosso personagem trouxe no início do post. Ao tomar contato com uma informação nova - que seria preciso rever o escopo de um projeto - a rede em modo padrão começa a especular o futuro, drenando a energia, que poderia ser usada para uma solução ou outra prioridade, para uma série de dúvidas e preocupações involuntárias.

Uma pesquisa de Harvard em 2010 apontou que passamos em média aproximadamente 47% do tempo com a mente divagando e que isso pode estar diretamente relacionado à produtividade, satisfação e felicidade.

 

Então como podemos sair desse modo e melhorar nosso foco e qualidade no trabalho?

A primeira coisa que você precisa fazer é entrar no piloto automático e no sentimento de urgência. Como assim? Quando me refiro à “entrar” quero dizer perceber, reconhecer e aproximar-se do automatismo e sentimento de urgência, com interesse e abertura.

Normalmente quanto mais coisas temos para dar conta ou mais urgências estão “pegando fogo” nossa tendência é acelerar e não prestar atenção ao que se passa aqui e agora. Isso reforça um estado de ansiedade e diminui nossa capacidade de tomada de decisões e criatividade.

Em meio ao caos, você precisa primeiro parar. Olhar a situação como ela se apresenta e perceber os conteúdos que sua rede em modo padrão está trazendo. Atuar a partir de um sentimento de urgência, por exemplo, não vai ajudar.

Olhando para a cena ilustrada no início deste post, notamos que nosso personagem relata conteúdos importantes de sua experiência, mas que geralmente desprezamos em um dia habitual de trabalho. São eles as sensações físicas, estados de humor e pensamentos automáticos. Pergunte-se deliberadamente: Que pensamentos, emoções e sensações estão em minha mente-corpo agora?

 

3 passos práticos para quebrar o círculo vicioso:

O primeiro passo é penetrar o momento presente e reconhecer o estado geral a partir do qual você está operando com uma atitude de não julgar o que encontrar, pois isso pode te colocar rapidamente no modo padrão outra vez. Apenas torne-se ciente de como isso está afetando sua motivação e seu foco.

O segundo passo é relembrar sua intenção. O que você deseja conscientemente para seu dia? Qual a melhor atitude que você pode ofertar neste próximo instante? Qual é o próximo passo?

E finalmente, decida e aja com atenção. Faça uma coisa de cada vez. Inclua em sua ação a sua perspectiva e a dos outros, peça feedback e construa algo novo se for o caso. Assim cada momento poderá ser mais interessante e livre de condicionamentos.

É bem provável que o cenário externo de prazos, urgências e imprevistos não mude tão cedo. Além disso, temos pouco ou nenhum controle no aspecto externo.

 

O que você pode fazer hoje?

Mudar aquilo que você tem controle, ou seja, o aspecto interno. Sua atenção e atitude mental podem ser treinadas. Quanto mais você praticar esse treino, menos refém do piloto automático e de suas consequências você ficará.